Há um “sim” que não se pronuncia apenas com os lábios.
É o “sim” que se transforma em presença, em responsabilidade, em renúncia, em cuidado. O “sim” que permanece mesmo quando amar exige mais do que se imaginava.
Neste segundo domingo de agosto, mês em que a Igreja contempla de modo especial as vocações, somos convidados a olhar para a vocação à vida familiar e, nela, para a grandeza da vocação de ser pai.
Porque ser pai não é apenas uma condição recebida. É uma vocação acolhida.
É dizer a Deus: “Eis-me aqui para a missão que me confiaste.”
E quão grande é este chamado.
Deus coloca nas mãos de um homem uma vida que não lhe pertence. Confia-lhe um coração que precisará ser formado, protegido, corrigido, encorajado e, sobretudo, amado. E, pouco a pouco, o pai compreende que sua missão não consiste em moldar um filho segundo seus próprios sonhos, mas em ajudá-lo a descobrir os sonhos que Deus mesmo escreveu para sua existência.
Por isso, a paternidade exige um “sim” cotidiano.
Sim para permanecer quando seria mais fácil partir.
Sim para educar quando o mundo oferece tantos outros caminhos.
Sim para corrigir com amor.
Sim para perdoar.
Sim para recomeçar.
Sim para trabalhar, servir e renunciar.
Sim para colocar a própria vida a serviço de uma vida que Deus confiou.
Mas, acima de tudo, sim à vocação de ser pai.
Um sim que não busca filhos perfeitos, mas que se dispõe a amar filhos reais. Um sim que não se sustenta na própria força, mas reconhece que toda verdadeira paternidade nasce do coração de Deus, porque “de quem toma o nome toda paternidade no céu e na terra” (Ef 3,15).
É por isso que a paternidade também é caminho de santidade.
Um pai santifica-se quando transforma o cotidiano em altar, o trabalho em serviço, a autoridade em cuidado, a correção em amor e a presença em testemunho.
São José nos revela isso de maneira silenciosa e sublime. Ele não precisou de grandes discursos para ser pai. Seu “sim” foi feito de obediência, trabalho, proteção, silêncio e presença. Ao acolher Maria e o Menino Jesus, José acolheu uma missão que ultrapassava sua compreensão, mas não ultrapassava sua confiança em Deus.
Ser pai é, muitas vezes, caminhar sem compreender tudo, mas continuar dizendo sim porque se confia n'Aquele que chamou.
Neste Dia dos Pais, celebremos não somente aqueles que geraram, mas aqueles que disseram e continuam dizendo “sim” à sublime vocação de conduzir uma família.
E rezemos para que cada pai compreenda a grandeza do que Deus colocou em suas mãos.
Que São José ensine aos pais a coragem de assumir sua missão, a humildade de reconhecer suas fragilidades e a fidelidade de permanecer.
Porque, quando um homem diz verdadeiramente “sim” à vocação de ser pai, Deus começa a escrever, através de sua vida, uma história que poderá alcançar gerações.
Feliz Dia dos Pais.
Que o nosso “sim” à família seja também um “sim” a Deus.
E que nossas casas sejam lugares onde os filhos aprendam, primeiro pelo amor recebido, quem é o verdadeiro Pai. 🤍